domingo, 30 de maio de 2010

Um futuro incerto

Nós acompanhamos a grande velocidade das mudanças tecnológicas. As novas gerações encantam-se com o moderno, com as máquinas e suas funcionalidades. Coincidentemente ou não, essa evolução tecnológica acompanha uma solidão angustiante que cresce cada vez mais na vida das pessoas. Tornamos-nos anti-sociais, talvez por comodismo. Nossas relações passaram para as telas de computador, assim, ficamos a maior parte do tempo na frente dele e menos tempo é dedicado para as relações sociais (cara a cara).

As nossas tradições aos poucos vão sendo esquecidas, pois tudo aquilo que antes era passado de geração em geração é desvalorizado pelas pessoas. Não sentamos mais a mesa na hora do café, no almoço ou na janta com a família, isso foi perdido. As pessoas chegam em casa cansadas após um dia inteiro de trabalho. Cada um vai para o seu canto e liga sua televisão ou seu computador.

Cada individuo janta a hora que quer: Pega o prato de comida e aperta o botão iniciar do micro-ondas. O que antes era um hábito agora se tornou algo para ser feito individualmente, pois nesse novo mundo ninguém quer ser incomodado, mas sim viver sozinho em sua bolha.

Para a modernidade o que nossos antepassados ensinam é velho e não servem mais. Não ouvimos o que nossos pais, avós, bisavós têm a nos ensinar. Nem ao menos sentamos com nossas famílias para conversar. O mundo agora é outro, assim como as crenças, os conhecimentos, as histórias e também o jornalismo.

Ciro Marcondes Filho em seu livro Jornalismo Fin-de-siècle comenta que “O jornalismo da nova era está sintonizado com o novo papel das comunicações e com a supressão dos fatos que marcavam o calor, o entusiasmo, a determinação de nossos antepassados. Ele hoje não traz mais o conflito, a polêmica, a discussão, o choque de ideias.”

Com as modificações que nossa sociedade vem vivenciando o jornalismo também sofre alterações. Para Ciro o jornalismo de antigamente era um tipo de ação política, em que o produto final deste, era um cidadão pensante e decisivo diante do governo, políticas e das mudanças sociais. Ele comenta que no jornalismo atual há um enfraquecimento de conteúdo, forjamento de noticias “ constrói-se o conflito ‘em laboratório’e a partir de interesses de empresas e governos."

Talvez ele esteja certo ou sendo muito pessimista em suas colocações, porém aos poucos podemos perceber mudanças acontecendo na mídia, não sei se boas ou ruins, mas o jornalismo sempre estará em modificação junto com sua sociedade, pois ele não pode e nunca ficará estagnado no tempo.

Qual será o futuro do jornalismo?


E qual será nosso futuro?

sábado, 29 de maio de 2010

Que Deus te abençoe, meu filho!

Você pede a benção aos seus pais antes de dormir ou ao
acordar? Bizarrice ou respeito?


Ao longo de minhas duas décadas de vida, o pedido de benção foi, não obrigatório, mas costumeiro, religioso. Até hoje, mantenho vivo esse costume, que reflete muito mais que uma obrigação cristã, mas uma característica enraizada culturalmente através da família e do meio social onde fui criado.

Evidentemente, no decorrer anos, o hábito vem se tornando impraticável. Desde que desembarquei em São Paulo, raras foram as vezes em que presenciei essa tradição. Bizarro para muitos - especialmente à garota "moderna". Mico para tantos outros. E um costume imprescindível e praticada por muita gente ainda. Muito escutei por aí: “Dar 'bença'? Acha que vou pagar esse mico?”

Acompanhando a rádio Record em uma dessas manhãs, notei que a tradição em pauta neste texto, é mantida pelo Paulo Barboza Filho, repórter da rádio, ao solicitar o “Bença, pai!” ao âncora, Paulo Barboza, que de praxe, dirige o “Que Deus te abençoe, meu filho!”.

A benção, que segundo os livros bíblicos, é "a mão de Deus sobre nós", o seu pedido, seja aos mais velhos, aos pais, ao vizinho, ao amigo, ao parente (até mesmo a alguém que você nem se lembra, mas que te carregou no colo há vinte anos) era até pouco tempo uma tradição viva do povo brasileiro.

Impossível esquecer o "Que Deus te abençoe, meu filho!" – que retrucava, dona Delita, aos 63 anos de idade, todas as noites quando adentrava à sala de aula, em minha época como professor de jovens e adultos na Escola Municipal Rui Barbosa, na Bahia. Enquanto isso, seu Joaquim, no alto de seus 65 anos respondia de maneira distinta à colega: “Que Deus te dê boa sorte!”

Em meu regresso à pequena cidade natal, ao me deparar com os indivíduos aos quais desde moleque estendia a mão solicitando a benção, meus avós, e tantas donas Marias e seus Josés, a prática sadia do pedido solidificava a tradição, ainda mantida em lugares como o que vivi, evidentemente que de forma minimizada se compararmos há décadas. Entretanto, pouco se percebe esse hábito nas cidades grandes.

Mas antes que você se pergunte “pra que diabos pedir a benção?”- esta que é uma indagação comum dos meus primos e amigos da "nova geração", dos que consideram bizarrice ou mico. Mas os mais velhos tinham na ponta da língua, a resposta quando os jovenzinhos ou até mesmo os adultos que não praticam tal costume: “Meu filho, a benção é importante não para quem dá, mas para quem recebe.”


Confesso, que desde que cheguei a São Paulo, basicamente não pratiquei esse hábito sagrado. O que demarca o retrato da perda desse costume, não exclusivamente de minha parte, mas de uma sociedade que não se enxerga mais inserida a esses costumes. Não me recordo quando pedi a benção pela derradeira vez. Aliás, sei sim... à dona Maria, que chegara recentemente da Bahia (até beijinho na mão dela eu dei).



Mas quando pedir a benção?
- ao entrar na casa
- antes de sair
- pela manhã (ao acordar)
- pela noite (quando dormir)

E caso você não peça?
- pode esperar que será visto como o mal educado
- ou que você não respeita aos meus velhos.

HISTÓRIA
A expressão bênção ou abençoar também tem, entre outros, o significado de falar bem de alguém.

No Antigo Testamento, em geral, a bênção refere-se a bem-estar, a segurança e ao bem familiar e essa bênção está expressamente condicionada à obediência aos mandamentos de Deus: "Eis que, hoje, eu ponho diante de vós a bênção e a maldição: a bênção, quando cumprirdes os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, que hoje vos ordeno; a maldição, se não cumprirdes os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, mas vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes" (Dt 11.26-28).

Para o cristão a bênção é a presença de Jesus na nossa vida, levando-nos para perto de Deus pela ação do Espírito Santo: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual em Cristo" (Ef 1.3).

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Docinho português da vovó Maria - Filhós


Filhós é um doce frito, feito à base de farinha de trigo e ovo. Doce português da Beira, típico da época natalícia, é também muito popular em algumas regiões do nordeste brasileiro, sobretudo no período do Carnaval.

Esse doce minha avó fazia toda anti-véspera de Natal e levava no dia 24 para toda família comer!
Todo dia 23/12 minha avó, minhas tias, minha mãe e meu avô se reuniam pra fazer esse doce que, diga-se de passagem, é MARAVILHOSO!
Quando eu tinha por volta de uns 8 ou 9 anos, eu comecei ajudar também! A gente pegava uma bolinha da massa e ia esticando-a até ficar fininha. Eu adorava fazer aquilo!
Enquanto íamos fazendo o filhós, cada um lembrava de algum fato que tinha ocorrido na família. Era uma forma de nunca deixar o passado no esquecimento, e recordar os momentos bons.

Já faz tempo que não nos reunimos mais para fazer o filhós. No Natal, nem toda a família está junto, pois alguns vão pra casa da sogra ou de outros parentes.
A tradição de fazer filhós ainda existe e é passada de pais para filhos, porém, a reunião anual para fazer os docinhos não existe mais devido à correria da vida de cada um e à perda de interesse dos filhos em aprender.

Esse é o link do site onde tem a receita portuguesa do filhós!
http://cybercook.terra.com.br/filhoses--receita-portuguesa-na-comunidade.html?codigo=48920

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Festa Junina


As Festas de São João fazem parte da cultura brasileira, mas pouca gente conhece a origem e as tradições que dão um encanto todo especial para esta época do ano. A tão conhecida festa junina surgiu em função das festividades que ocorrem durante o mês de junho. Pode-se dizer também que a festa junina tem origem em países católicos da Europa e, portanto, seriam em homenagem a São João.
De acordo com historiadores, esta festividade foi trazida para o Brasil pelos portugueses, ainda durante o período colonial. Nesta época, havia uma grande influência de elementos culturais portugueses, chineses, espanhóis e franceses. Da França veio a dança marcada, característica típica das danças nobres e que, no Brasil, influenciou as típicas quadrilhas. Da China, veio a tradição de soltar fogos, já que lá foi a região de ode teria surgido a pólvora. Todos estes elementos culturais foram com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais brasileiros, tomando características particulares em cada uma delas.
Como o mês de junho é a época da colheita do milho, grande parte dos doces, bolos e salgados, relacionados às festividades, são feitas deste alimento. Pamonha, cural, milho cozido, canjica, cuzcuz, pipoca, bolo de milho são apenas alguns exemplos. Além das receitas com milho, também fazem parte do cardápio desta época: arroz doce, bolo de amendoim, bolo de pinhão, bombocado, broa de fubá, cocada, pé-de-moleque, quentão, vinho quente, batata doce, chocolate quente, cachorro-quente e muito mais.
As tradições fazem parte das comemorações. O mês de junho é marcado pelas fogueiras, que servem como centro para a famosa dança de quadrilhas. Os balões também compõem este cenário, embora cada vez mais raros em função das leis que proíbem esta prática. Na região Sudeste é comum a realização de quermesses. Estas festas populares são realizadas por igrejas, colégios, sindicatos e empresas. Organizam- se em barraquinhas com comidas típicas e jogos para animar as crianças e os visitantes. A quadrilha geralmente ocorre durante toda a quermesse.
Com o passar dos anos percebemos que houve uma ruptura nessas tradições. O que é uma tradição todo ano para milhares de pessoas, em alguns lugares como São Paulo, por exemplo, não tem tanto valor assim. É muito comum cidades do interior organizar festas juninas, entra no clima da festa, usar roupas típicas, dançar a quadrilha, enfim comemorar o dia de São João, já na capital isso quase não ocorre.
Aí vai uma receita típica das festas juninas, o bolo cremoso de tapioca:
Ingredientes
· 1 litro de leite
· 1 litro de água
· 500 g de TAPIOCA YOKI
· 3 ovos
· 1 xícara (chá) de farinha de trigo
· 1 xícara (chá) de açúcar
· 1 colher (café) de SAL MOÍDO IODADO
· 1 colher (sopa) de ERVA DOCE KITANO
· 100 g de margarina amolecida
Modo de preparo
1. Ferva o leite com a água e despeje sobre a TAPIOCA. Mexa para que aos poucos a TAPIOCA hidrate sem grudar, e aguarde 2 horas.Bata os ovos com a farinha de trigo e o açúcar e o SAL MOÍDO IODADO. Acrescente a ERVA DOCE, a margarina e a TAPIOCA. Unte uma fôrma com 28 cm de diâmetro com margarina e polvilhe com farinha de trigo.Despeje a massa e asse em forno médio, pré-aquecido por aproximadamente 40 minutos.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Festa do Divino Espírito Santo


A cidade histórica paulista devastada pela trágica enchente no primeiro dia do ano foi cenário da tradicional Festa do Divino Espírito Santo

A cidade São Luís do Paraitinga, no início do ano, foi castigada pela enchente que destruiu grande parte do município. Casas, o centro histórico e até a matriz de São Luis de Tolosa desabaram com a força da enchente.

A igreja erguida no século 19, com vários afrescos, vitrais e altares em mármore não resistiu à força das águas. Entretanto, embora os problemas que afetaram a cidade, as dificuldades não foram suficientes para interromper a realização de um dos eventos mais tradicionais da região, a Festa do Divino Espírito Santo.

A população que encheu as ruas na novena ao santo, que agora acontece em frente aos escombros da matriz.

Entre os dias 14 e 23 de maio, os nove dias a festa tradicional na cidade atraiu cerca de 10 mil pessoas.

Com uma programação extensa e variada, o evento garantiu além de diversão, a oportunidade de contribuir através dos participantes com a reconstrução do patrimônio histórico da cidade.

O evento tem suas raízes na colonização portuguesa. O Cortejo Imperial, formado por crianças vestidas com trajes reais e representando o imperador, a imperatriz e outros nobres da corte são destaques no festejo.

Outra marca da festa é a fartura de comida. O alimento típico do evento é o "afogado", um cozido de carne batatas, sempre preparado apenas por homens e servido gratuitamente. A população também demonstra seu sentimento de amor e fé, no ritmo da congada.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Oferenda aos que já se foram

video
Ano de 1908. Cidade de Santos-SP. Chega ao porto o primeiro navio trazendo famílias de japoneses, grande parte formada por camponeses das regiões mais pobres do Japão, que vieram ao Brasil em busca de melhores condições de vida.

Houve um grande preconceito com os recém chegados, pois todos os asiáticos eram considerados raças inferiores e que prejudicariam o “branqueamento” do Brasil, além de um sentimento de aversão em relação às tradições, costumes e religião destes imigrantes. Apesar do preconceito, a necessidade de mão-de-obra era muito grande e a única saída era a vinda destes japoneses. Eles tiveram muita dificuldade em se adaptar ao novo país. O Idioma, hábitos alimentares, modo de vida e o clima causou um forte choque cultural.

Os japoneses começavam a trabalhar nas fazendas de café e isolavam-se das demais pessoas. A miscigenação nipo-brasileira demorou muito tempo para acontecer. Um casamento com pessoas de origem não-japonesa não era aceito pelos imigrantes japoneses e só começou a acontecer a partir da segunda e terceira gerações. Assim, houve uma grande mistura de etnias e culturas.

Junto com a vontade de trabalhar e conseguir uma vida melhor, eles trouxeram para o Brasil seus costumes, língua, crenças, tradições e conhecimentos. Questões como a morte, a má sorte e até mesmo a doença são passadas de geração em geração e persistem até hoje.

Aracy Tieme Hamaguchi, 55 anos, morou no Japão por 6 meses e percebeu que a cultura japonesa no Brasil é mais parecida com a de antigamente do que a própria cultura que hoje é vista no Japão. “Hoje a cultura de lá [Japão] está muito americanizada, às vezes eu não entendia o sotaque dos adolescentes, que misturavam o inglês com o japonês.” Por isso, hoje em dia no Brasil há muito das tradições orientais, que são preservadas por filhos e netos desses imigrantes.

A questão da morte, por exemplo, é vista de maneira diferente para eles. Influenciados pela religião budista, os japoneses acreditam que a morte é renascimento, porque para eles o que morre no mundo material, na verdade esta nascendo no mundo espiritual. Assim, quando alguém morre cada família que comparece no dia do enterro faz uma contribuição em dinheiro. “É uma forma de ajudar a família, pois a pessoa muitas vezes está desprevenida. E depois, como forma de retribuição e agradecimento a família presenteia a outra com uma pequena lembrançinha.” Explica Tizuko Degaki, neta de japoneses.

No dia dos mortos é muito comum encontrarmos nas lápides das famílias japonesas pratos de comida. Muitos brasileiros olham aquilo e não entendem. São refeições oferecidas aos que já se foram, uma tradição ainda preservada pela comunidade nipo-brasileira. Essas oferendas não são feitas apenas diante dos túmulos, mas também nos santuários domésticos. Essa tradição vem a partir do mito das Escrituras Budistas, que conta a história do monge Mokuren que certo dia viu sua mãe já morta sofrendo de fome nas profundezas do inferno. Não aguentando ver a dor de sua mãe, Mokuren ofertou uma tigela de arroz que ajudou assim, a aliviar o sofrimento de sua mãe.

A maioria dos descendentes de japoneses no Brasil mesmos sendo católicos continuam essa tradição de origem oriental e budista, com o objetivo de relembrar dos antepassados e transmitir tranquilidade ao espírito ajudando-o a encontrar a paz.
Os japoneses dão muito valor aos mais velhos e aos que já se foram. Lembram sempre com carinho e respeito, pois foram eles que ensinaram tudo o que sabem. Nós brasileiros temos muito que aprender com essa cultura que mesmo estando do outro lado do mundo, encontra-se presente nesse país que é tão multifacetado e multicultural.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Descobrindo o computador

video
Nos últimos anos se tornou quase impossível acompanhar as mudanças tecnológicas. Há algumas décadas, dificilmente alguém imaginaria um celular com internet, ou uma rede social capaz de mandar mensagens instantâneas, como o twitter, ou o mercado de livros em estado nervoso e com medo do desaparecimento das obras em papel. Se para os jovens, que estão em um momento de ebulição e mudanças, é fácil e até divertido acompanhar a velocidade da web, para os mais velhos nem sempre é tão simples.
Os problemas aumentam com a sociedade que os cerca: vivemos em um mundo que se acostumou a trocar aquilo que está ultrapassado – segundo os valores do consumo e da propaganda – por algo novo com facilidade. Transformamos o luxo em lixo muito rapidamente, e nesse meio tempo não paramos para pensar nas antigas gerações que cresceram com a cultura do tempo lento e que tem tanto ainda a nos ensinar, como tradições que não perderam o valor mesmo no stress moderno.
No entanto, ainda existem iniciativas que propagam o saber tecnológico para quem quiser aprender. É o caso da Universidade Aberta do Tempo Útil, a UATU, cujas aulas são ministradas no Instituto Presbiteriano Mackenzie, em São Paulo. No vídeo, conversamos com a professora de informática Alice Kotoni e os alunos José Consolin e Jandira Borges, que traduzem toda a vontade de ensinar e aprender. Maiores informações sobre a UATU aqui.